Preço alto não é sinônimo de qualidade

Escrito por: Fernanda Marinho

A discussão sobre pagar mais caro por produtos de melhor qualidade é bastante comum no minimalismo. Embora eu concorde em alguns casos, não são a maioria. É preciso atenção. Explico…

Muitas vezes, principalmente em lugares com muita desigualdade social como é o caso do Brasil, o preço alto reflete mais um posicionamento de mercado do que um maior custo de produção. Não quer dizer que o produto seja de melhor qualidade. Isso porque usar um produto caro confere status para quem o usa. Então a empresa vai e faz exatamente o mesmo produto que se vende ali na esquina, com o mesmo custo de produção, mesmas matérias-primas, e cobra mais caro. Logo logo as pessoas estão comprando só pra mostrar para os outros que elas têm dinheiro.

Vou dar um exemplo concreto para não ficar no campo das ideias: chinelo havaianas. Lá nos anos 1980, era coisa de pobre. Era um chinelo barato, confortável e com muita durabilidade, o que o levava a ser um item básico das camadas mais baixas da população. Mas aí veio a concorrência e as havaianas precisaram partir para novos mercados. Tiveram a ideia de conquistar as classes média e alta, que não queriam ser associadas a chinelos de pobre.

O que eles fizeram: mantiveram exatamente o mesmo produto, mudaram as cores, deram o nome de “Havaianas Top”, colocaram uns mostruários bonitos em lojas descoladas (antes eram vendidas em bacias nos mercados), contrataram um pessoal famoso para fazer propaganda e aumentaram o preço. O resultado a gente sabe. Hoje havaianas “todo mundo usa” (que, aliás, era o mote das tais propagandas). Mas o produto é exatamente o mesmo. Mesma qualidade. Preço mais caro.

havaianas

Foto de divulgação da Havaianas comemorativa de 50 anos. A branca com azul é o modelo original (não tinha, na época, essa placa prateada). A toda azul é o modelo top.

Além disso, muitas vezes o preço de um produto é maior porque ele veio de mais longe, porque se produz em menor escala ou até mesmo porque a matéria-prima é mais escassa ou custosa de trabalhar, o que não quer dizer que ele seja melhor.

Adotar o minimalismo vai contra a corrente, e não é fácil. Então muitas vezes a gente cria desculpas para nós mesmos para manter velhos hábitos. Normal. Como tudo na vida, acho que vale a pena ficar atento e refletir sempre.

Post originalmente publicado em 2013, no endereço antigo, aqui.

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2 Comentários

  1. Maria disse:

    Isso mesmo. Igual a melissa. Quando pequena tinha uma melissa que minhas tias chamavam de preta velha, anos 80, hoje as meninas procuram justamente o modelo que era desprezado. Era um calçado barato, hoje olha o preço?! Eu não uso mais, porque tenho problemas na circulação sanguínea, o plástico represa.

    1. Tem razão! Fizeram a mesma coisa com aquela Melissa clássica, trançadinha, não é? Acredita que foi meu primeiro calçado, quando bebê?!? Minha mãe tem guardado até hoje. Era baratinho mesmo. Hoje uma fortuna!

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