Desapegando dos meus rastros de tralha

Escrito por: Fernanda Marinho

Engraçado como tralha é algo que se espalha. Eu já saí da casa da minha mãe há uns quatro anos e até hoje ainda tem uns rastros meus por lá.

Quando me mudei, em 2014, levei o essencial de imediato e aos poucos fui buscando o restante. Desde aquela época, até já mudei de novo e algumas das minhas coisas continuam lá.

São coisas que eu com certeza não uso, ou não estariam guardadas há tanto tempo; mas que têm algum valor sentimental, e por isso eu não simplesmente joguei fora. Ia deixando para decidir depois. E esse depois não chegava nunca.

Além dessa dificuldade de me desfazer disso tudo, como são coisas que não vejo com frequência e não bagunçam a minha casa, foram ficando por lá…

A tralha que eu deixei pra trás

tralha: agendas, vhs e cartas

Meus diários de 1994 e 1995 (quando eu tinha 14 e 15 anos), a caixa de cartas e cartões que eu guardo, e umas fitas de vídeo, que nem tenho como assistir mais.

Ao perceber que eu estava agindo assim, fui na casa da minha mãe e vasculhei as gavetas e as prateleiras nas estantes que ainda têm coisas minhas lá. Olha o que eu achei:

– Fitas de vídeo de desenhos e gravações;
– Livros antigos;
– Papelada da empresa que eu já tive;
– Presentes que eu ganhei e nunca usei;
– Cartas antigas em uma caixa;
– Coleção de papel de carta;
– Caixa de papéis, folhetos e outras lembranças da época em que morei na Disney;
– Enfeites;
– Diários da minha adolescência.

Nessa vasculhada mesmo, as fitas VHS foram doadas e os diários foram para a minha casa atual. Foi curioso e engraçado reler aqueles rabiscos dramáticos cheios de amor e ódio de adolescente. Acabei mantendo dois deles, e joguei os outros fora.

Agora, toda vez que for visitar minha mãe, quero voltar com uma sacola. Alguns itens não devem chegar nem na minha casa. Já jogo no lixo lá mesmo. Até o final do ano, vou trazer todas as minhas coisas de lá, e ter que lidar com elas entulhando o meu próprio espaço.

Você também pode gostar de:

Deixe seu comentário:

16 Comentários

  1. Anne Carvalho disse:

    Ótimo ponto!! Eu saí da casa (e da cidade) dos meus pais aos 18 anos para estudar, e nunca mais voltei a morar lá. No início quase tudo meu ficou no “meu quarto”, porque no alojamento da faculdade eu só tinha direito a um armário, e, claro, a enorme quantidade de “tesouros de adolescente” que eu tinha não caberia lá.
    Com o passar do tempo fui diminuindo a quantidade de coisas que tenho lá, mas ainda hoje (depois de me mudar 4 vezes de cidade e 1 vez de país; casar, separar, casar de novo), tenho algumas coisas guardadas lá. Como você disse, são coisas que não uso (mesmo), caso contrário, já estariam comigo.
    Ano que vem, após quase 15 anos que saí de casa, vou pela primeira vez voltar a morar na mesma cidade dos meus pais! Quero aproveitar a oportunidade para tirar de uma vez por todas tudo que ainda tem meu da casa deles, e deixar o “meu quarto” finalmente livre para ser um “quarto de hóspedes”, como minha mãe tanto quer. 🙂

    Ps.: Eu acho impressionante como me identifico com todos os posts. Adoro seu blog!! 😀

    1. MJC disse:

      Interessante seu relato, e me identifico com ele. Tenho 35 anos e saí de casa aos 17 anos. Até hoje ainda tenho coisas na casa dos meus pais. É pouca coisa (umas 3 gavetas), mas realmente não era pra estar lá…

      E esse post veio bem a calhar. Minha mãe já comunicou que esse ano é pra todo mundo carregar as tralhas. O que continuar lá, vai pro lixo rs. Esse ano vou ter que selecionar então.

      1. Olá, MJC! Eu tenho 37 anos e também estou nesta luta. Hehe… Eu tinha duas gavetas e umas duas prateleiras de estante, mas já limpei uma gaveta e uma prateleira. Está quase… E minha mãe fica com dó de jogar minhas coisas fora, então eu vou ter que fazer isso mesmo. Aproveita o “incetivo” da sua mãe e faça essa limpa também. Sabe que é até divertido revisitar essa tralha? Boa sorte 😉

    2. Ei, Anne! Pois é…. Eu já saí e já voltei algumas vezes, mas impressionante como continua tendo coisa minha lá (agora já quase nada, mas até o fim do ano ainda quero tirar tudo). E é isso que você falou mesmo. Nossas coisas ficam lá impedindo os donos da casa de usar o espaço de uma maneira mais produtiva. Vamos então nos esforçar para liberar isso para eles, não é? Hehe… 🙂 E que legal que você vai morar na mesma cidade deles!

      Impressionante como eu também me identifico sempre com seus comentários! Acho que a gente tem valores e personalidades um pouco parecidas. 😀

  2. Simplicidade e harmonia disse:

    Fernanda,

    A gente vai guardando tanta coisa….
    Na época dos nossos pais e avós, os filhos mudavam-se e não deixavam tanta coisa para trás como as gerações atuais.

    O que a Anne disse me fez refletir um pouco sobre esse fenômeno. O quarto dos filhos, que poderia ser o quarto de hóspedes ou o quarto para os pais colocarem as coisas deles (uma máquina de costura ou transformar em uma sala de leitura, por exemplo) continuam sendo o quarto dos filhos. E parecem que eles não se importam muito com isso, na verdade, acho que muitas vezes até preferem assim, pelo valor sentimental e as lembranças das “crianças”. Geralmente eles se referem a esses locais como o “quarto do fulano”. Talvez isso faça bem para eles e até mais sentido do que transformar radicalmente esse ambiente.

    Abraços,

    1. Você tem razão. Eles deixavam menos rastros mesmo. Acho que porque, em primeiro lugar, eles mudavam mais cedo, então não acumulavam tantas coisas até saírem de casa. E, em segundo, porque as mudanças eram mais definitivas. As pessoas geralmente se mudavam para ir para outra cidade ou para casar. Eu, por exemplo, já saí e voltei pra casa da minha mãe algumas diversas vezes, quando mais nova. Só agora que é mais definitivo. E tem isso que você falou também. Muitas vezes os pais devem gostar de ter essa “lembrança” dos filhos. Mas acho que a responsabilidade maior é nossa, como filhos, de liberar esse espaço para eles, sabe? Mas vai muito de família para família. No caso da minha, minhas coisas lá têm é juntado poeira e atrapalhado, eu acho. Por isso quero tirar de lá 🙂
      Abraço!

      1. Simplicidade e Harmonia disse:

        Fernanda,

        Eu não havia pensado na responsabilidade dos filhos em liberar esse espaço na casa dos pais – você tem toda razão. Dessa forma eles poderão aproveitar o espaço como quiserem sem aquele sentimento desagradável de rompimento com o passado, da época na qual os filhos eram pequenos.

        Sobre as mudanças definitivas, pelos relatos e histórias de família, percebo que era muito raro alguém sair e voltar para a casa dos pais. Se a pessoa se separasse, acho que a última coisa que faria era isso – geralmente alugava uma casa. Exceto a mulher, se tivesse filhos e não houvesse outra opção. Hoje as coisas mudaram significativamente nesse sentido, como você disse.

        Boa semana!

        1. Pois é! Eu também não tinha pensado nessa responsabilidade… Até que, dia desses, estava na casa da minha mãe e ela estava comentando que o quartinho do fundo estava bagunçado, aí me lembrei que tinha um tanto de livros meus lá. Foi o que motivou o post, na verdade. Boa semana para você também 🙂

  3. Paulo disse:

    Fernanda,
    Umas coisas que estou analisando aqui em casa e que preciso me desapegar o mais rápido possível são meus livros e coleções de livros e revistas. Estou com uma estante repleta! E isso requer muito espaço físico.
    Já estou reavaliando cada caso para ver o que manterei e o que irei me “desapegar”.
    No caso de livros, já tenho usado o Kindle para substituir alguns, mas em outros preciso me desfazer sem dó rsrs.
    Desapegar é um processo complicado, mas necessário para ter uma vida mais simples.

    1. MJC disse:

      Eu senti essa necessidade de me desfazer dos meus livros quando mudei nessa última vez. Já tinha acumulado bastante coisa! Depois de carregar várias caixas, achei que o peso era meio desnecessário. Depois disso, ainda demorei 2 anos para comprar um kindle e começar a ler preferencialmente livros eletrônicos (infelizmente alguns tipos de livros ainda não dá pra ler no kindle – livros técnicos com muita equação, por exemplo). Esse ano eu comecei a vender vários livros/HQs meus. Vendi mais de 100 livros mas ainda tenho muita coisa pra vender. Minha dica é vender em grupos de desapega (principalmente de whatsapp). Eu achava que era difícil de vender livros, mas existe muita gente que tem o sonho (como eu tinha antigamente) de ter uma estante cheia de livros (e a verdade é que o livro não precisa estar na estante – ele tem que estar na nossa cabeça…)

      1. Oi, MJC! Sabe que eu tenho um kindle desde 2011, e desde então dou preferência para livros eletrônicos, mas mesmo assim ainda tenho muitos livros físicos. Eu tinha demais! Agora tenho um tanto mais normal, mas mesmo assim ainda achei muitos, na hora da mudança. E concordo demais com você que o importante é ter os livros na cabeça, e não na estante. Eu já tentei vender, mas não consegui. Os grupos que entrei no facebook é de muita gente querendo vender, e quase ninguém querendo comprar. Como você descobriu esses do whatsapp?

    2. Ei, Paulo! Nossa! Você não imagina o quanto me identifico com o seu caso. Até no uso do kindle pra substituir alguns livros. Revistas eu não tenho mais, mas livros! Desde que eu comecei com esse processo de desapegar das coisas, fui diminuindo aos poucos os meus livros, mas também ainda tenho muitos. Alguns até na casa da minha mãe ainda. É complicado e necessário mesmo, como você disse. Então vamos lá diminuindo, aos poucos, mas sem parar. Hehe…

  4. Big Sur disse:

    Para mim, os livros sempre representaram o maior “problema”, quando o assunto é desapegar. Leio muito desde criança. Fui professor de Literatura e fiz mestrado na área. Passei a vida acumulado livros, muitos deles realmente necessários ao meu trabalho. De uns anos pra cá, passei a me sentir incomodado com o transtorno que essa quantidade de livros acaba acarretando. Já tive mais de 2.000 livros. Quando me casei, deixei metade na casa dos meus pais. Foi um trabalho terrível transportar tantas caixas pesadíssimas. Como acabei abandonando a docência, comecei a me livrar desse peso aos poucos. Nos últimos anos, vendi muitos livros e doei muitos mais. Ainda tenho uns 1.200. Ainda parece uma quantidade infinita. Adotar o Kindle ajudou no desapego. Um dia, quero ter no máximo uns 100 livros, apenas aqueles raros ou de maior valor sentimental. Tentei vender mais, mas a maioria das pessoas só quer livros mais “populares”…

    Enfim, parabéns pelo blog… acompanho há muito tempo e sinto falta de textos mais frequentes, rsrsrs

    1. Para mim também tem sido o maior problema! Mesmo com o kindle, que ajudou muito a parar de enxergar os livros físicos como se fossem o seu conteúdo. Mas o seu caso realmente é diferente, porque você ainda usava esses livros. Mais complicado mesmo. E 2000! Imagino o peso disso tudo! Hehe… E sabe que eu também tive dificuldade demais em vender livros?!? Consegui trocar alguns, mas não vender. Acho que o caminho é diminuindo aos poucos mesmo. Só temos que tomar cuidado para não parar, e também para não juntar novos livros. E muito obrigada por me acompanhar esse tempo todo! Sabe que eu não posto mais nem é por falta de assunto, é por falta de tempo para sentar e finalizar uns 30 posts que eu tenho escritos pela metade. Isso só mostra que ainda preciso simplificar mais ainda a minha vida para ter mais tempo para aquilo que eu acho importante 🙂

  5. Thais disse:

    Nossa, Fernanda, diários e fitas VHS são coisas mesmo mto difíceis de se desfazer! Lembro que demorei pra conseguir desfazer dos diários, e sei que na casa da minha mãe ainda há uma parte de um armário cheia de fitas. Pra piorar, essas fitas não são só de filmes: nós tínhamos uma filmadora pra registrar festas e outros momentos familiares importantes. Ela sonha em um dia digitalizar tudo isso, mas a verdade é que eu acredito que ela nunca o fará…

    1. Não é, Thais? Custei a me desfazer dos diários, mas ainda mantive dois. E pretendo ficar com eles. Mas eu tinha uns 7, sabe? Sobre VHS, eu doei as da Disney e algumas de gravação de TV. Mas as de gravações de família mesmo já tem um tempo que digitalizei. Tem empresa que faz isso, e fica até barato se forem muitas. E conheço gente que comprou o aparelhinho e fez em casa mesmo. E te falo que nem vale a pena ficar guardando as fitas VHSs, porque elas acabam estragando…

Participe da conversa, deixe seu comentário aqui:

O seu endereço de e-mail não será publicado.Todos os campos são obrigatórios!